Mensagens e Poesias

 

 

Você

Amor é fogo que arde sem se ver

Teu nome

Soneto da fidelidade

Saber Amar é...

Soneto de Separação

Destino

O amor, quando se revela...

 

Você

Em cada estante um livro
Em cada livro um porquê
Em cada por quê uma resposta
Em cada resposta VOCÊ

Em cada noite um sonho
Em cada sonho um desejo
Em cada desejo uma saudade
Em cada saudade VOCÊ

Em cada mês uma semana
Em cada semana um dia
Em cada dia uma lembrança
Em cada lembrança VOCÊ

Em cada pessoa um amigo
Em cada amigo uma conversa
Em cada conversa um assunto
Em cada assunto VOCÊ

Em duas bocas um beijo
Em cada beijo um sentimento
Em cada sentimento um amor
Em cada amor VOCÊ

Em cada boca uma palavra
Em cada palavra uma certeza
Certeza que amo... VOCÊ!

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Amor é fogo que arde sem se ver
(Luis Camões)
Amor é fogo que arde sem se ver,
É ferida que dói, e não se sente,
É um contentamento descontente,
É dor que desatina sem doer

É um não querer mais que bem querer,
É um andar solitário entre a gente
É um nunca contentar-se de contente,
É um cuidar que ganha em se perder

É um querer estar preso por vontade,
É servir a quem vence, o vencedor,
É ter com quem nos mata, lealdade,
Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos maizade,
Se tão contrário a si mesmo é o amor?

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Teu nome
(Autor desconhecido)

Escrevi teu nome na água
Pra desaparecer
Mas a água virou gelo
E não pude te esquecer
Procurei uma gruta escura
Para teu nome esconder
Mas o vento dentro dela
Forçou-me a devolver
Corri como louco atrás do vento
Joguei teu nome a tremer
Mas o vento com teu nome
Meu corpo veio a envolver
Então dei tudo na vida
Deitei na chão para morrer
Mas teu nome querido
Deu-me forças para viver


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Soneto da fidelidade
(Vinícius de Morais)


De tudo ao meu amor serei atento

Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto

Que mesmo em face do maior encanto

Dele se encante mais meu pensamento.

 

Quero vivê-lo em cada vão momento

E em seu louvor hei de espalhar meu canto

E rir meu riso e derramar meu pranto

Ao seu pesar ou seu contentamento

 

E assim, quando mais tarde me procure

Quem sabe a morte, angústia de quem vive

Quem sabe a solidão, fim de quem ama

 

Eu possa me dizer do amor (que tive):

Que não seja imortal, posto que é chama

Mas que seja infinito enquanto dure.

 

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Saber Amar é

Saber amar é esperar
não da vontade do outro
mas de saber-se o momento
não do momento oportuno
mas sim do tempo
pois que para quem sabe amar
a paciência é parte
impaciência à parte
saber amar é ensinar e aprender
sem mesmo o saber fazer
pois que não impõe-se
apenas se deixa ser
quem sabe amar tem estilo
não prepotente
seu estilo de jeito de saber se dar
saber amar é estar sintonizado
não preocupado pois que é tão espontâneo
que quem sabe amar sempre sabe
o que o outro até mesmo quer dar
saber amar é estar sempre atento
àquilo que nunca é dito
mas expressado em gestos
e há sempre de reconhecer
é claro que compreende tudo
e se não aceita todas as desculpas
há de com jeito fazê-las explicar
talvez um pouco de renúncia
pois que mais adiante ela se desfaz
existe um tom de amizade sempre a todo momento
na pessoa que sabe amar
não se aprende por experiência
de amor em amor
quem sabe amar tem o dom
apenas o flui tranqüilo
quando encontra aquele que sabe
entender como receber esse amor
quem sabe amar entende que
vai se fazer falta
sente-se triste por provocar essa dor
mas isso faz parte do amor
apenas de quem sabe amar

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Soneto de Separação

(Vinícius de Morais)

De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.
De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez o drama.
De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente
Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.

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Destino

(Cecília Meireles)

Pastora de nuvens, fui posta a serviço
por uma campina desamparada
que não principia nem também termina,
e onde nunca é noite e nunca madrugada.

(Pastores da terra, vós tendes sossego,
que olhais para o sol e encontrais direção.
Sabeis quando é tarde, sabeis quando é cedo.
Eu, não.)

Pastora de nuvens, por muito que espere,
não há quem me explique meu vário rebanho.
Perdida atrás dele na planície aérea,
não sei se o conduzo, não sei se o acompanho.

(Pastores da terra, que saltais abismos,
nunca entendereis a minha condição.
Pensais que há firmezas, pensais que há limites.
Eu, não.)

Pastora de nuvens, cada luz colore
meu canto e meu gado de tintas diversas.
Por todos os lados o vento revolve
os velos instáveis das reses dispersas.

(Pastores da terra, de certeiros olhos,
como é tão serena a vossa ocupação!
Tendes sempre o início da sombra que foge...
Eu, não.)

Pastora de nuvens, não paro nem durmo
neste móvel prado, sem noite e sem dia.
Estrelas e luas que jorram, deslumbram
o gado inconstante que se me extravia.

(Pastores da terra, debaixo de folhas
que entornam frescura num plácido chão,
Sabeis onde pousam ternuras e sonos.
Eu, não.)

Pastora de nuvens, esqueceu-me o rosto
do dono das reses, do dono do prado.
E às vezes parece que dizem meu nome,
que me andam seguindo, não sei por que lado.

(Pastores da terra, que vedes pessoas
sem serem apenas de imaginação,
podeis encontrar-vos, falar tanta coisa!
Eu, não.)

Pastora de nuvens, com a face deserta,
sigo atrás de formas com feitios falsos,
queimando vigílias na planície eterna
que gira debaixo dos meus pés descalços.

(Pastores da terra, tereis um salário,
e andará por bailes vosso coração.
Dormireis um dia como pedras suaves.
Eu, não.)

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O amor, quando se revela...
(Fernando Pessoa)

O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p'ra ela,
Mas não lhe sabe falar.

Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de dizer.
Fala: parece que mente
Cala: parece esquecer

Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
Pra saber que a estão a amar!
Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!

Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar...

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